No seio de
um psiquismo de uma pátria, falam inúmeras
vozes psíquicas e se agitam
inúmeros eus coletivos. O campo
desperto ou a consciência lúcida de uma
nação é apenas um pequeno ponto,
uma ilha cercada pelo inconsciente coletivo, de onde
fluem os impulsos inferiores e os Ideais que caracterizam
e norteiam os passos de uma pátria.
Da mesma forma que os indivíduos, as coletividades
ascendem do primeiro andar ao terceiro andar. Conforme
o grau de conquista dos andares do Castelo Psíquico
Coletivo se diferenciam as nações.
Os povos que vivem às expensas do primeiro andar
configuram as nações primitivas ou guerreiras
do nosso planeta. Os que se situam no segundo andar,
caracterizam as nações práticas,
que aspiram às conquistas do meio, ao desenvolvimento
das técnicas e ao bem estar de sua coletividade.
E os que vislumbram, mesmo que timidamente, o terceiro
andar, sonham entre outras coisas, com a unidade dos
povos, a fraternidade entre as nações,
a cooperação mútua, a descoberta
das verdades universais. Estes três diferentes
tipos de nações simbolizam os três
primeiros estágios evolutivos coletivos, com
infinitos degraus e inúmeros representantes.
Logicamente que as nações não são
constituídas de conjuntos homogêneos, mas
de reinos heterogêneos, agrupados em um movimento
ascensional único. Assim, reinos guerreiros,
práticos e fraternos coexistem no âmbito
de todos os povos e é justamente o predomínio
de uma dessas vertentes que os caracteriza.
O Ideal coletivo de uma nação seria uma
proposta de trabalho, vertida de coletividades consciências
superiores para os povos e, certamente, definidos conforme
o grau de ascensão alcançada pela maioria
dos seus componentes. Somente com olhos e ouvidos coletivos
para verem e ouvirem é que os ideais poderão
descer, materializando-se no meio da coletividade.
No caso da nação brasileira, a proposta
de trabalho se materializou na expressão "Brasil
Coração do Mundo, Pátria do Evangelho".
É um convite para que o Evangelho seja vivenciado
coletivamente, erguendo no orbe, no dizer de Emmanuel,
um celeiro de claridades espirituais. Não é
uma fatalidade, é um privilégio, não
uma ordem, mas uma proposta, um chamamento, um caminho,
que poderemos trilhar ou não, com os nossos pés
coletivos.
Esse convite não significa igualmente que as
nossas inclinações, tendências e
hábitos inferiores sejam eliminados por um passe
de mágica. A violência, a pobreza, o analfabetismo,
o "jeitinho brasileiro", a corrupção,
são alguns dos nossos problemas sociais, que
nos compete eliminar por meio da educação
e do trabalho conjunto. São impulsos, que criam
e criarão resistência à vivência
integral da proposta descida do mais Alto.
"Brasil Coração do Mundo, Pátria
do Evangelho" é apenas a transferência
de uma lei de um certo nível evolutivo mais avançado
para o nosso, uma antecipação, que devemos
realizar.
Que este Ideal possa ser mantido na sua integridade
e beleza e que consigamos realizá-lo no novo
milênio que se inicia. Que o sol da Nova Civilização
do Terceiro Milênio possa despontar nos horizontes
fraternos de nossa pátria. Seja essa, a nossa
destinação.
|