Mensagens de Paz
Principal
Revista Temática
ibbis

 

 
pag. |1|2|3|
A DESCIDA DOS IDEAIS DE UMA NAÇÃO
 

A consciência racional é apenas um pequeno ponto, um vaga-lume, uma ilha cercada pelas forças inconscientes do passado ou subconsciência e as do futuro ou superconsciência. A personalidade humana seria, então, um coral de vozes, um conjunto de forças ou sinfonias de eus, traçando, no tempo, uma trajetória ascensional, que iria do primeiro ao terceiro andar, do subconsciente ao superconsciente, utilizando-se do segundo pavimento, como âncora, pista ou rampa, para saltos ou vôos de maior alcance, almejando o encontro definitivo com o Eu Eterno, ilimitado, infinito, que se encontra muito além de nossos terrenos, cercas, bandeiras e quintais onde, infelizmente, ainda nos situamos e vivemos.

Nesse quadro ascensional, conforme o degrau de expansão ou conquista dos andares deste Castelo Interior, se definiria o homem. Aqueles que insistem em viver às expensas ou sob o domínio do primeiro andar caracterizariam as feras humanas, os cidadãos agressivos e violentos, que as páginas policiais de todo o mundo retratam nos noticiários. Os que respiram com certa intimidade e facilidade no segundo andar configuram o ser humano comum, o chamado tipo normal, o homem prático, voltado para as aspirações horizontais da existência. E os que ascendem em busca de uma atmosfera mais rarefeita e sutil, verticalizando a existência, procurando vivenciar os tesouros eternos do terceiro andar, constituem os bandeirantes de uma nova era e, geralmente, são chamados de poetas, gênios, sábios, místicos e santos. Estes três diferentes tipos humanos simbolizam os três primeiros estágios evolutivos, com infinitos degraus e diversos representantes. A descida dos Ideais, segundo os ensinos de Pietro Ubaldi, significa a transferência da lei de um certo nível biológico mais avançado a um menos avançado, uma antecipação evolutiva, norteando os esforços daqueles que se situam na retaguarda, mecanismo divino, lei de ascese de almas para as moradas infinitas do Pai, amoroso e eterno. Dessa forma, o Ideal seria uma proposta de trabalho vertida do céu ou de planos de consciência superiores para os homens; sendo que cada tipo humano, dada a característica da sua casa ou morada íntima, teria uma maneira particular de ver, ouvir e sentir. Daí as expressões do mestre Jesus constantes em Mateus ( cap.13:9,16 e 17):

"Quem tem ouvidos, que ouça!" "Ditosos os vossos olhos, porque vêem! E vossos ouvidos, porque ouvem".

A proposta de trabalho descida do mais alto constitui trilhas e caminhos que deveremos percorrer com os nossos próprios pés. E como cada ser não pode trair o nível evolutivo onde se situa, é compreensível, que o Ideal em sua descida, perca parte de sua integridade e beleza sendo distorcido e adaptado, levando até milênios, para ser definitivamente assimilado.

Os pioneiros que vivem no terceiro andar, no plano da superconsciência, percebem em diferentes matizes, conforme suas conquistas pessoais, a chama do ideal, que buscam viver e transmitir. Os moradores do segundo andar analisam, justificam, aceitam, negam, adaptam, distorcem, aproximando as massas da visão do primeiro andar, compreendem a seu modo e usam as virtudes guerreiras que possuem, para transmiti-lo e vivê-lo. As guerras religiosas, as lutas antifraternais entre grupos e dentro dos próprios grupos, as batalhas de argumento entre adeptos de diferentes correntes de pensamento são desfiguração, oriunda da vontade de viver o Ideal, carregando-o, porém, das cores que emanam do espectro íntimo. Não seria por outra razão que o Cristo Divino, há séculos, já havia nos prevenido (Mateus, 10:30): "Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Vim para fazer separação entre filho e pai, entre filha e mãe, entre nora e sogra; e os inimigos do homem serão os próprios companheiros de casa".

Assim como nenhum lar, morada ou castelo, por mais distante que se situe, não deixa de estar incluído em uma rua, vila, região, cidade, estado ou país; da mesma forma o ser em ascensão evolutiva, pela lei da sintonia e afinidade, se agrupa, formando raças, povos e nações. As leis que regem a individualidade são as mesmas que norteiam a coletividade. As células se unem formando tecidos, os tecidos os órgãos, os órgãos os sistemas, os sistemas os organismos, os organismos sistemas de organismos. Os indivíduos se unem em famílias, as famílias constituem a população de uma cidade, as cidades se agrupam como estados, os estados, formam as nações e as nações a humanidade.

Cada pátria se expressa em duas esferas distintas: o consciente coletivo e o inconsciente coletivo. E em três regiões ou andares específicos: O subconsciente, o consciente e o superconsciente.

No primeiro andar do psiquismo coletivo de uma nação, está registrada a história comum de todos os seus filhos. Aí se armazenam todos os impulsos que se tornam automatismos, hábitos, idéias inatas, inclinações e tendências que invariavelmente se desenvolvem e florescem no segundo andar ou no consciente coletivo de um povo, onde, por sua vez, ocorrem no presente os esforços conjuntos de semeadura, almejando a ascensão e aperfeiçoamentos, em direção ao futuro. No terceiro andar, residem as potencialidades superiores de toda a nação, a serem conquistadas pelos esforços e vontade de todos os semeadores que a constituem, no rumo das noções sublimes da existência coletiva, no reino da universalidade, da fraternidade e comunhão amorosa.

 
 
 
SEPN - Quadra 513, Bloco A, Sala 214 - Edifício Bittar I - Fone (61) 3964 5025