| Maurício
Neiva Crispim
A nossa casa mental segundo André Luiz, no livro
No Mundo Maior, pode ser comparada a um castelo de três
andares.
No primeiro andar, situam-se os alicerces
da nossa personalidade, o armazém ou depósito
de todas as nossas conquistas evolutivas, os impulsos
que através dos milênios se fixam no nosso
psiquismo, constituindo os mananciais dos nossos instintos.
Todo o nosso passado, escrito no livro da vida, aí
está arquivado, não como páginas
mortas, mas como registros vivos, forças latentes
em irradiações constantes, a influenciarem
ininterruptamente as nossas decisões atuais e
conseqüentemente os nossos destinos.
No segundo andar, localiza-se o campo
propício destinado à nossa semeadura atual,
a seara nova, pronta para novos esforços ou plantio,
a serem empreendidos no hoje, no presente. Aqui o semeador
sai a semear, utilizando-se da ferramenta da razão,
para selecionar as sementes de intenções
que, espalhadas, crescerão como atos gerando
frutos salutares ou não, que, invariavelmente,
deverão ser colhidos com as próprias mãos,
em épocas oportunas. Se a semeadura é
livre, a colheita é obrigatória. Os frutos
colhidos serão acondicionados automaticamente
no primeiro andar e surgirão no desenrolar da
vida, no segundo pavimento, como antigas sementes ou
automatismos, hábitos, idéias inatas,
inclinações e tendências.
No terceiro andar, residem as potencialidades
do futuro, a serem conquistadas pelos esforços
e vontade do semeador, expandindo as fronteiras do próprio
ser, no rumo das noções superiores da
existência, do reino do Espírito, da Unidade,
do Amor, do Ideal, nobre e superior. Nessa zona consciencial,
os instintos e a razão se calam e a intuição
se pronuncia descortinando a síntese e os horizontes
mais vastos da verdade divina.
Neste modelo da psiquê humana, existiriam na
nossa intimidade inúmeros eus ou vozes.
Um eu definido, por vários autores,
como de superfície ou normal, representado
pelo segundo andar ou plano consciente onde fala a voz
da razão; um eu subterrâneo, primeiro
andar ou plano subconsciente, repleto de raízes
ou germes prontos para desenvolver e florescer na superfície,
onde fala a voz do instinto; e um eu superior,
o terceiro andar ou plano da superconsciência,
onde fala a voz da intuição.
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