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teria sido, portanto, produzir nos homens, naqueles
que porventura a assistissem, a ilusão do parto
de Maria. Mas, a isso se opunha o prestígio misterioso
de que devia cercar-se o “nascimento” de
Jesus. Maria estava só no momento. Fácil
era dar a ilusão àquele Espírito
cuja existência material apenas começava,
tanto mais quando, embora o desenvolvimento da mulher
em tais paragens seja mais precoce do que sob o vosso
clima, a vida contemplativa de Maria a conservara ao
abrigo de todas as aspirações e sensações
materiais. Sendo ela, pois, ignorante das leis da matéria,
inútil fora levar mais longe a ilusão.”
(Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág.
202).
Claro está, portanto, que Maria não era
iniciada nas malícias humanas, e nem tinha contato
íntimo com homem algum. Na descrição
de Roustaing, vivia uma vida contemplativa. Seria muito
fácil aos Espíritos bondosos que conduziram
o processo lhe imprimir uma sensação de
gravidez e parto normais, que não chegaram a
ocorrer, ainda mais porque ela estava sozinha no momento
do “nascimento” e, desta forma, este momento
não teve testemunhas encarnadas. Mas mesmo que
existissem ali outros indivíduos presenciando
o nascimento, o magnetismo empregado pelos Espíritos
poderia perfeitamente dar-lhes a impressão de
nascimento real. O Livro dos Espíritos, pergunta
536-b, nos esclarece sobre o tema.
“536-b. Concebemos perfeitamente
que a vontade de Deus seja a causa primeira, nisto como
em todas as coisas. Porém, sabendo que os Espíritos
têm ação sobre a matéria
e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos
se alguns dentre eles não exerceriam certa influência
sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?
“Evidentemente; e nem poderia
ser de outro modo. Deus não exerce ação
direta sobre a matéria. Ele tem agentes dedicados
em todos os graus da escala dos mundos.” (O Livro
dos Espíritos, pergunta 536-b).
Os contemporâneos de Jesus não teriam
condições de saber naquela época
todos estes detalhes. E como a revelação
é progressiva, aos poucos o conhecimento vai
descendo à Terra iluminando a ignorância
dos homens. Jesus foi tido por muitos daqueles que conviveram
com ele na Terra como louco, fanático e derrogador
da lei mosaica. Não conheciam a extensão
espiritual do Governador deste planeta, nem que para
ele realizar sua missão necessitaria de condições
tão especiais.
“Já o dissemos e
repetimos: Jesus não se revestiu de um corpo
material humano tal como os vossos. Sua essência
era demasiado pura para poder suportar o contacto com
a matéria. Compreendei o sentido destas palavras.
Queremos dizer que Jesus, de uma elevação
extrema, incompatível com a vossa essência,
não podia submeter-se à encarnação
material humana. Era-lhe impossível suportar
o contacto da matéria, como vos é
impossível suportar um odor fétido”.
(Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág.
205). (Grifos nossos).
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