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MARIA DE NAZARÉ
 

No processo de anúncio de sua gravidez percebemos mais uma vez suas elevadas características morais. Em oração, Maria, ávida de luz, por meio de sua mediunidade transcendente, absorve a mensagem do legionário dos céus a quem se deu o nome de Gabriel, o anjo do Senhor. O nascimento de Jesus foi anunciado por vias mediúnicas, o que nos ensina Roustaing:

"Em comunhão espiritual com os Espíritos do Senhor, mas submetida à lei da encarnação material humana tal qual a sofreis, médium inconsciente, ela recebeu, como médium vidente, audiente e intuitivo, no sentido de ter consciência do ser que se lhe apresentava, a predição que lhe era feita. Sua inteligência, entorpecida pelo invólucro material, não se achava em estado de lembrar-se. É o que explica tenha feito sentir ao anjo, ou Espírito, a impossibilidade de conceber durante a virgindade". (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 156).

Mas a virgem não possuía a mesma condição espiritual que seu filho, apesar de já naquela época pertencer à falange de espíritos evoluídos. Quando o anjo Gabriel aparece para Maria e lhe anuncia que ela receberia Jesus como mãe, surge em sua mente a seguinte pergunta:

“Então Maria perguntou ao anjo: “como será isso, uma vez que não conheço homem?”” (Lucas: 34).

Esta indagação demonstra que Maria não possuía condições de entender de pronto todas as situações que caracterizavam a sua missão. Apesar de ser ela Espírito elevado, estava entorpecida pela encarnação, e não podia manifestar a mesma lucidez que seu filho. Ele sim, ciente de sua missão a todo tempo, tem pleno conhecimento de todas as nuanças do processo. Maria necessitava da revelação do anjo Gabriel para colaborar com o nascimento. Jesus, ao contrário, não precisava destes recursos, e manipulava ele mesmo, por exemplo, as forças que constituíram sua veste material.

Mas o fator fundamental deste contexto é a revelação de que Maria posicionou-se em estágio de extrema aceitação. Apesar de ter sido preparada no plano espiritual para receber o menino Jesus, sua tarefa não foi fácil ou simples como poderíamos concluir em uma análise prematura ou superficial da história.

O fato de Maria ser dotada de alta evolução espiritual não a privava de estar submetida às leis físicas características de mundos atrasados como o nosso. Ao contrário, era-lhe mais penoso viver aqui, especialmente pela incompatibilidade vibracional entre ela e o ambiente grosseiro. Tendo que mergulhar na matéria densa, submeteu-se ao esquecimento temporário das realidades espirituais, e por isso necessitava da revelação do anjo.

Fosse outra a sua condição moral e a decisão de aceitar os desígnios de Deus, poderia ela ter se revoltado contra o anúncio de sua gravidez atípica, desprovida de concepção carnal. E veja-se que, para uma menina tão nova, entregar-se ao desconhecido só poderia demonstrar bravura de alma. Por isso reafirmamos que não poderia ter sido outro Espírito que por aqui vivia o portador desta responsabilidade. Foi escolhida propositadamente não somente pelo seu grau de evolução, mas também por ter aceitado decididamente a sua tarefa.

Teve que entregar-se em fé à sua missão. Talvez poderia ela ter pedido ao anjo outras provas do acontecido, aconselhar-se com os mais velhos sobre a natureza da situação, ou até mesmo requerer a Gabriel um tempo para pensar e entender o que seria aquela gravidez. Nada disso lhe passa pela mente. Após uma breve pergunta, aceita, incondicionalmente, o que o anjo lhe pede, e segue, sem pestanejar, as recomendações vindas do céu.

Teve que enfrentar ainda as possíveis dúvidas que surgiriam em seu esposo. Como José aceitaria estes fatos? Como poderia ela explicar que sua gravidez era fruto do sobrenatural, e que tinha permanecido virgem? Não seria considerada adúltera por aparecer grávida sem ter se entregado intimamente a José? Mesmo com a aparição do anjo a José mais tarde, explicando-lhe o que havia de se dar, analisemos que no momento da aparição à Maria esta dúvida poderia ter lhe tomado conta dos pensamentos. Naquela época, a mulher adúltera poderia facilmente ser levada ao apedrejamento, como existem relatos destes exemplos no próprio Evangelho. E diante de todas estas possibilidades, temendo por sua integridade física e moral, a virgem poderia ter recuado. Nada disso. Não pensava ela em sua reputação ou desejava se privar ao sofrimento. Aceita a ordem do alto e segue confiante o seu destino. Se fosse menos evoluída, portadora de menor fé ou se estivesse mais próxima de nós, talvez houvesse falhado. Não foi esta a sua escolha, e a sua elevação moral também não apontava para esta direção.

Este momento de aceitação que poderia passar desapercebido aos leitores da história, reveste-se da mais profunda importância espiritual. E se Maria, neste momento do anúncio do anjo, recusasse receber Jesus como filho? Alguns poderiam tentar solucionar o problema dizendo que seria escolhida outra mãe para esta função.

 
 
 
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