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MARIA DE NAZARÉ
 

“Eis o ser diante de Deus. Apenas criado, ele ainda não falou. Deve dizer agora a sua primeira palavra, que Deus lhe pede em resposta ao Seu ato criador: a palavra decisiva. (...) A este Meu ato falta somente um último retoque para ser perfeito e ele deve partir de ti. Espero-o de ti, que o farás com plena liberdade. Ofereço-te a existência como um grande pacto de amizade. Ele é baseado no Amor com que te criei e a que deves o teu ser. Podes aceitar ou não este Meu Amor”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Cap. 4, pág. 47).

Na hora decisiva da escolha algumas criaturas decidiram aceitar a Deus, e outras se rebelaram, caindo na matéria.

“Então, muitos “Deuses” menores, feitos da substância divina, livremente decidiram tornar-se “Deuses” maiores, iguais a Deus. A escolha foi por eles feita, e o universo, abalado até aos fundamentos que estão no espírito, estremeceu e parte dele desmoronou, involvendo na matéria. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Cap. 4, pág. 48). (Grifos nossos).

Esta é a origem da matéria e do universo físico tal qual hoje o concebemos. Os espíritos encarnados e desencarnados que habitam a Terra participaram deste momento de escolha acima descrito por Ubaldi, e a decisão de todos eles foi pela revolta, a negação do princípio Divino.

Maria, assim como nós, fez parte deste processo e caiu no Anti-Sistema, termo utilizado também por Ubaldi. Jorge Damas em sua obra “Regina”, apoiando-se em Roustaing, é categórico em afirmar que “O Espírito Maria não escapou a esta regra”. E seguindo este raciocínio, o autor ainda acrescenta:

“Depois de percorrer os reinos: mineral, vegetal e animal, com suas respectivas fases de transição, teve, porque todos temos, “a necessidade de se libertar inteiramente do contato forçado em que esteve com a carne, de esquecer as suas relações com a matéria, de se depurar dessas relações” (...) “O Espírito (Maria e todos nós) é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais: é conduzido aos mundos ad hoc, às regiões preparatórias, pois que lhe cumpre achar o meio onde se elaboram os princípios constitutivos do perispírito”. (Jorge Damas, Regina, Cap. 1, pág. 19).

Então a trajetória de Maria, até este ponto, assemelha-se com os demais espíritos terrenos, ou seja, pertenciam ao sistema Divino, rebelaram-se caindo na matéria, iniciando daí o processo de evolução pelos reinos mineral, vegetal e animal até o momento em que foram conduzidos aos mundos ad hoc, regiões do plano espiritual onde se passa pelo processo de formação do perispírito, e a alma pode enfim readquirir o seu livre arbítrio.

A partir deste momento iniciam-se as diferenças entre a história de Maria e a nossa, espíritos presos em mundo de prova e expiação. Após a restauração de seu livre arbítrio, Maria escolhe progredir a passos largos, conquistando patrimônios espirituais reais no plano astral, enquanto que os espíritos que hoje habitam a Terra caem novamente, e a partir daí reencarnam de planeta em planeta, a grande maioria deles assumindo débitos e resgates futuros, através de erros em compromissos reencarnatórios. Portanto, todos nós pertencíamos à primeira queda, contudo, em segunda oportunidade, Maria escolhe avançar progressivamente em direção a Deus, e nós novamente O negamos. É o que descreve Jorge Damas citando Roustaing:

“Quando o livre-arbítrio de Maria atingiu, segundo a revelação dada a Roustaing – um desenvolvimento completo, ela não se deixou, como muitos, nesta fase inicial, se arrastar pelo ateísmo, orgulho e inveja (Q.E.I, 311). E o Espírito da Soberana das Mães, sempre debruçado no inesgotável “livro da vida” (Ap. 20:12), através dos tempos que nossos relógios não conseguem registrar, galgou um estado de evolução admirável. Neste ponto, seu invólucro perispiritual já brilhava em rara beleza. Mas é bom que se diga logo, Maria ainda não havia conquistado o ápice da escada moral, patamar dos Espíritos puros, que atingiram a “perfeição sideral” (Q.E.I, 328)”. (Jorge Damas, Cap. 1, Regina, pág. 20).

Maria continuou, portanto, sua evolução. Todavia, como escolheu seguir a Deus, seu progresso foi realizado em regiões mais evoluídas, inconcebíveis para nós, almas atrasadas e presas a formas materiais. A condição evolutiva de Maria atingia graus cada vez mais elevados, o que demonstra porque este Espírito teve condições de tanto fazer pelo Cristo, e de auxiliar em sua missão de redenção das almas em sofrimento na Terra.

Mas perceba-se que ela era relativamente perfeita em relação às almas em prova e expiação, mas não havia atingido a perfeição absoluta característica dos Espíritos Puros. E assim, durante este percorrer de sua evolução em planos bem mais espiritualizados que a Terra, Maria sofre uma pequena queda.

 
 
 
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