O
Evangelho só registra esta frase sobre os misteriosos
e intrigantes dezoito anos de silêncio sobre Jesus
e seus pais.” (Jorge Damas, Regina, Cap. 25, pág.
229).
Antes disso, a última aparição
reveladora do Nazareno foi a descrita em Lucas: 2: 41-51.
Nesta passagem o menino Jesus, então com 12 anos,
por ocasião da festa da Páscoa, some de
seus pais por 3 dias. Ao procurarem por ele o encontram
em Jerusalém no Templo, dialogando com os doutores
da lei. Daí surge a célebre resposta do
Cristo: "Por que me procuráveis? Não
sabíeis que eu devia estar no que é de
meu Pai?"
A partir daí é que decorrem os dezoito
anos de silêncio. Neste ponto já constatamos
pela consulta ao evangelho que Jesus antecipava, em
pequenos eventos, o que seria mais tarde toda a gama
de ensinamentos e exemplos por ele realizados. Mesmo
na sua infância este sinais apareciam, exatamente
porque tinha ele reações como a acima
transcrita que não eram experimentadas pelas
outras crianças.
Daqui em diante a participação de Maria
transforma-se. No início da vida de Jesus eram
principalmente nela, mas também em José,
concentrados todos os fenômenos descritos no evangelho.
Mas quando Jesus inicia sua vida pública o foco
dos acontecimentos dirige-se para ele. Nas pregações,
na convivência com o público, nas viagens,
no templo, no contato com os apóstolos, a presença
marcante e mais registrada nas passagens evangélicas
é a de Jesus. Maria aparece neste contexto mais
como seguidora do Cristo do que como mãe.
No relato de Marcos 3: 31-35, Jesus nitidamente
demonstra que seu objetivo maior era evangelizar.
“Chegaram sua mãe e seus irmãos;
e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
E muita gente estava sentada ao redor dele e disseram-lhe:
“Olha, tua mãe e teus irmãos estão
lá fora e te procuram. Ele perguntou-lhes dizendo:
“quem é minha mãe ou meus irmãos?
E olhando para os que estavam sentados em roda, disse:
“eis minha mãe e meus irmãos; pois
quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão,
irmã e mãe”.
Teria sua missão acabado? Seria sua tarefa circunscrita
à geração e cuidados na infância
do Nazareno? O Espírito Áureo, na obra
“Universo e Vida” nos esclarece. Já
citamos acima este trecho, mas de tão importante,
nos socorremos novamente dele.
“Coube a ela fornecer
ao Mestre a base ectoplasmática necessária
à sua tangibilização, servindo
ainda de ponto de referência e de equilíbrio
de todos os processos espirituais,
eletromagnéticos e quimiofísicos que possibilitaram,
neste orbe, a Presença Crística".
(Áureo, Universo e Vida, Cap. 7, pág.
116). (Grifos nossos).
Os termos são claros. Dependeu de Maria a Presença
do Nazareno. Estar presente não pode significar
apenas nascer, mas refere-se à toda a sua existência.
E estes processos espirituais, eletromagnéticos
e quimiofísicos não se deram apenas na
gravidez ou no parto de Maria, sucederam-se também
em outras ocasiões. Roustaing nos demonstra:
“Já conheceis bastante,
de modo geral, os efeitos magnéticos, para compreenderdes
a perfeita naturalidade desse fato que foi considerado
um “milagre”. Não ignorais que Jesus
dispunha de grande poder sobre os fluidos. Pois bem,
o que houve ali foi o resultado de uma ação
magnética exercida por ele. A água não
se transformou em vinho, como o supôs e espalhou
o vulgo ignorante das causas do fenômeno produzido.
Por efeito daquela ação magnética,
a água tomou, para o paladar dos convivas, o
sabor do vinho, o sabor que Jesus lhe impôs”.
(Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo IV, pág.
154).
Jesus utilizava-se destes recursos
em diversas oportunidades. A mente ainda bem atrasada
de seu público exigia a existência destes
“milagres” para facilitar a crença.
O equilíbrio destes fenômenos dependia
também de Maria, nos dizeres de Áureo.
Jesus encontrava guarida na pura vibração
de sua mãe para estabilizar estas reações.
Todos os apontamentos já levantados neste trabalho
indicam esta direção. Primeiro Maria era
o espírito de mais elevada condição
espiritual dentre todos que receberam a missão
de colaborar com o Cristo. Segundo, Jesus não
manipulava estes fenômenos sozinho, dependia principalmente
da energia sublime de sua mãe para concretizá-los.
E por último, perceba-se que eventos desta natureza
estão presentes em todo o evangelho. Cura de
leprosos, cegos que voltam a ver, loucos que são
curados e a própria ressurreição
do Cristo.
Por todos estes elementos podemos concluir
que a participação de Maria, a despeito
de em muitas oportunidades se manter em segundo plano,
foi decisiva para a materialização do
Evangelho na Terra. Nem mesmo nos momentos de contemplação
deixou de contribuir positivamente com todos os ensinamentos
do Cristo. A mente humana, ainda arraigada na matéria,
comporta-se descrente ante as poderosas afirmações
do amor.
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