Se Jesus não
poderia se submeter à matéria, também
não há lógica em dizer que ele
teria sido gerado no ventre de Maria, nem ter passado
pelo processo do Nascimento.
Mas era preciso que tudo isso permanecesse em segredo.
Se estes fatos houvessem sido revelados de imediato,
a missão de Jesus poderia ter sido comprometida.
Antes do “nascimento” de Jesus, só
pelo fato das profecias anunciarem que nasceria o Salvador,
foram assassinadas milhares de crianças, na tentativa
de que entre elas estivesse Jesus.
Era necessário que a compreensão da parte
espiritual dos fenômenos fosse deixada para mais
tarde. Sendo a Terra habitada por espíritos renitentes
no mal, que já perderam diversas oportunidades
de se regenerarem, é natural que a sua capacidade
de compreensão seja também reduzida, inferior,
e que necessite de tempo e amadurecimento para se entender
a verdade.
DESAFIOS DO CAMINHO
Citamos por diversas vezes passagens de autores encarnados
e desencarnados avalizando a elevada situação
espiritual de nossa protagonista. Dissemos que ela não
precisava, de acordo com o seu nível de evolução
alcançado, encarnar em mundo de prova e expiação
como a Terra. Poder-se-ia daí pensar que sua
passagem por aqui foi fácil, e que os Espíritos
benfeitores cuidaram de retirar todos os obstáculos
para o desenvolvimento de sua missão.
Não é isso que a história nos
mostra. Em diversos momentos as dificuldades enfrentadas
por ela foram imensas. Jorge Damas, citando Maria Cecília
Baij e o Espírito de Amélia Rodrigues,
nos esclarece:
“José estava preocupado
em realizar tal viagem com Maria naquele estado avançado
de “gravidez”. Maria, porém, segundo
Cecília Baij, tranqüilizou-o dizendo que,
“havendo o Redentor determinado o local e a maneira
do Seu nascimento, a eles competia somente estarem preparados
para recebê-lo e adorá-lo nesse lugar,
e que ela deveria tão-somente levar os necessários
panos de linho que havia confeccionado” (A vida
de São José, pág. 118). “A
viagem fora longa para aquele casal, principalmente
para aquela mulher grávida, durante quatro ou
cinco dias, sacudida pelo trote da montaria ... Sucederam-se
abismos e montes, subidas e descidas, quase às
portas da cidade santa, chegando por fim a Belém..
“ (Luz do Mundo, pág. 19)” –
(Jorge Damas, Regina, Cap. 12, pág. 140).
Desde o início estava cercada de dificuldades,
e nesta passagem vemos que teve que se submeter à
dolorosa viagem, estando grávida. Explicamos
acima, amparados por Roustaing, que Maria experimentou
todas as sensações e desconfortos de uma
gravidez normal, embora não estivesse gerando
o “corpo” de Jesus. E neste estado, sofrendo,
portanto, realizou tudo aquilo que havia lhe sido designado
sem protestar contra sua tarefa.
Em Lucas acompanhamos outro exemplo de seus testemunhos.
“Estando eles ali completaram-se
os dias de dar à luz, e teve um filho primogênito,
e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não
havia lugar para eles na hospedaria”. (Lucas:
2: 6-7).
Não bastasse a viagem penosa, o nascimento de
Jesus também não foi menos difícil.
Roustaing afirma que Maria estava sozinha no momento
do nascimento, conforme citações já
transcritas acima, ou seja, sem ninguém para
lhe auxiliar. E ainda em local desconfortável,
especialmente para uma gestante, em razão de
que todas as hospedarias do local estavam ocupadas.
Depois que Jesus recebe a visita dos magos, dá-se
continuação à luta de Maria.
“Depois de haverem partido,
eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José,
dizendo: “Levanta-te, toma contigo o menino e
sua mãe, foge para o Egito, e fica aí
até que te chame; pois Herodes há de procurar
o menino para matá-lo”. José levantou-se,
tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para
o Egito”. (Mateus: 2: 13-14).
Herodes realmente procurou Jesus,
e na tentativa de exterminar sua vida mandou matar todas
as crianças menores de dois anos.
“Herodes, vendo-se iludido
pelos magos, ficou irado, e mandou matar todos os meninos
em Belém e em todo o seu termo, de dois anos
para baixo, conforme o tempo que tinha com precisão
indagado dos Magos. Então cumpriu-se o que foi
dito pelo profeta Jeremias: “Ouviu-se um clamor
em Ramá, choro e grande lamento: Raquel chorando
os seus filhos, e não querendo ser consolada
porque eles se foram”. (Mateus: 2: 16-18).
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