Pode
ser pobremente comparada, em termos de rapidez, para
que tenhamos uma idéia do fenômeno a nível
psicológico, a visão panorâmica,
que ocorre, segundo os espíritos e diversos pesquisadores
terrenos, em frações diminutas de tempo,
onde o desencarnado revê todos os quadros mentais,
palavras e ações que estruturaram a sua
vida. Em segundos, uma existência terrena longa,
que se desenvolveu lentamente, passa rapidamente, em
detalhes precisos, aos olhos espirituais daquele que
se despede da vida física. Nessa rapidez, comparativamente,
ou em tempo muito menor, ou quase isso, podemos dizer,
que ocorre a primeira queda:
"Quaisquer que sejam as
dúvidas que se levantam contra esta teoria, é
um fato que ela não pode ser repelida por aqueles
que seguem a doutrina do Cristo. Este, no Evangelho
de Lucas, (capítulo 10:18), diz: "Vi Satanás,
como um raio, cair do céu". De fato, a queda
foi fulminante, rapidíssima, como ocorre quando
rui um edifício. Subir de novo é que é
cansativo e lento, como acontece na construção".
(Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo X, p. 118).
"O fenômeno da queda
não pode medir-se com o nosso tempo. Foi também
um desmoronamento de dimensões e o tempo foi
apenas uma das dimensões atravessadas na queda,
tanto como, no oposto da evolução, esta
é a dimensão que desaparece, após
ter sido atravessada a fase de energia, de que é
própria. (...). Os estágios da subida
foram certamente atravessados na descida, porque se
eles ligam o Sistema ao Anti-Sistema na direção
de ida, devem também ligar o Anti-Sistema ao
Sistema na direção de regresso. Foram
atravessados, não na forma lenta em que vivemos,
mas certamente em sua substância, porque a ponte
de passagem entre os dois pólos, de ida ou de
volta, só pode ser uma. Não na forma lenta,
em que o ser viveria mais tarde, porque se tratava de
uma fulminante desintegração atômica,
em cadeia, em que não há como despertar,
aprender, reconstruir. O processo lento atual de experimentação
e assimilação não tinha razão
de existir. A queda foi como uma explosão em
que a unidade se pulverizou". (Pietro Ubaldi, O
Sistema, Capítulo XV, p. 195).
"De tudo isto se compreende
que a evolução é tanto mais lenta
e penosa quanto mais se está em baixo, e que
é tanto mais rápida e feliz quando mais
se chegou ao alto". (Pietro Ubaldi, O Sistema,
Conclusão, p. 296).
As quedas que ocorrem nos planos de vida e evolução,
nos domínios da matéria, são mais
lentas, devido à própria existência
da matéria, e não rompem os limites das
dimensões já conquistadas. Caso ultrapassasse
esses limites o Espírito que animou o corpo de
um homem poderia voltar a encarnar num animal. O máximo,
que o desequilíbrio pode engendrar, é
a destruição da rica vida mental do ser,
levando-o a ovoidização, por monodeísmo
torturante, e a conseqüente perda do perispírito,
entendido como sinônimo de corpo astral, porém
a barreira hominal não é quebrada, os
estágios evolutivos conquistados não se
perdem, não ocorre retrogradação,
não há recuo:
"Podem os Espíritos
degenerar? - Não; à medida que
avançam, compreendem o que os distanciava
da perfeição. Concluindo uma prova, o
Espírito fica com a ciência que daí
lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário,
mas não retrograda". (Allan Kardec, O Livro
dos Espíritos, Pergunta 118). (Os grifos são
nossos).
"O Espírito que animou
o corpo de um homem poderia encarnar em num animal?
- Isso seria retrogradar e o espírito não
retrograda. O rio não remonta à
sua fonte". (Allan Kardec, O Livro dos
Espíritos, Pergunta 612). (Os grifos são
nossos).
Notem que os Espíritos Reveladores usam as expressões:
À MEDIDA QUE AVANÇAM, que em seu conjunto
significa EVOLUÇÃO, ou seja, não
se referem, ao exílio voluntário, caracterizado
pela contraparte do ciclo evolutivo, a involução
ou a queda consciencial, mencionada pelo Cristo divino,
mas tão somente ao período de ascensão,
retorno ou subida. As duas respostas conjugadas, nos
mostram que as dimensões conquistadas, não
se perdem, a consciência ao se contrair novamente,
consegue ir apenas até a ovoidização
ou se revestir de corpos físicos mais densos
ou primitivos, como nos casos das quedas planetárias,
mas não voltar aos estágios primordiais
com a densificação nas formas: mineral,
vegetal ou animal. E nem poderia ser de outra maneira,
porque somente na fase humana é que o livre arbítrio
retorna parcialmente, todos os outros períodos
são determinísticos, a ação
de quebra de harmonia só pode lesar o ser que
a gerou e não interferir na LEI: "o rio
não remonta à sua fonte". Mesmo em
relação a primeira queda não há
recuo ou retrocesso, como já ressaltamos, mas
somente contração, permanecendo em germes
todas as potencialidades do ser:
"Assim a queda foi um desmoronamento
de dimensões, em planos de vida inferiores, involuídos,
nos quais todos os dons de Deus se contraíram
em um estado potencial, de latência, do qual só
o sacrifício de ascensão do ser poderá
retirá-los, despertando-o para a atualidade".
(Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X,
p. 137).
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