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FRANCISCO DE ASSIS - O SEGUNDO CRISTO
 

5. O MÉDIUM

Em vários momentos da vida de Francisco encontramos passagens de visões. O inspirado de Assis estava constantemente em contato com as maravilhas do céu, e lhe apareciam anjos e símbolos dos mais diversos. A grande maioria deles trazia mensagens sobre a missão do apóstolo, e ele dedicava-se atentamente a todas elas. Era uma bússola maravilhosa a indicar o rumo e o sentido de seu trabalho. Teve ainda diversos sonhos reveladores que o ajudaram significativamente a concluir seus objetivos e concretizar a sua obra.

Um desses sonhos se deu da seguinte forma:

"(...) Viu-se recolhendo do chão migalhinhas muito pequenas de pão e dando de comer a muitos frades esfomeados que estavam ao seu redor. Ficou com medo de distribuir migalhinhas tão pequenas, achando que se iam desfazer em pó nos seus dedos, mas ouviu uma voz do alto: "Francisco, faze com todas essas migalhas uma única hóstia e dá-a aos que querem comer". Ele obedeceu. Todos os que não recebiam com devoção, ou que desprezavam o dom recebido, ficavam logo cobertos de lepra". (São Francisco de Assis, Vida II, Cap. 159, p. 435)

A princípio não conseguiu entender o significado do sonho, mas rezando fervorosamente uma voz lhe falou (São Francisco de Assis, Vida II, Cap. 159, p.435): "Francisco, as migalhas da noite passada são as palavras do Evangelho, a hóstia é a Regra, a lepra é a iniqüidade". Esta revelação lhe mostrou que sua missão consistia em divulgar o Evangelho, e este livro sagrado seria o caminho de redenção das almas. Mas como fazê-lo? Como divulgar e principalmente como viver o Evangelho? Para que as migalhas servissem de alimento ele elaborou a Regra, uma forma de vida franciscana e evangélica, uma série de métodos de conduta escrito por Francisco que ele aplicava à risca em sua vida e aos seus seguidores. Ao escrever a Regra o apóstolo fundou na Terra uma estrada que levava à redenção das almas pelo encontro do Cristo.

Outro acontecimento digno de nota refere-se a uma visão de Frei Pacífico, grande apóstolo franciscano. Antes de conhecer pai Francisco, este poeta boêmio também chamado de "rei das canções", era totalmente voltado para os prazeres da matéria. Contudo, certa vez encontrou o inspirado de Assis pregando no mosteiro de São Severino, e foi arrebatado por surpreendente visão, conforme descreve São Boaventura na coletânea já citada:

"Muito santo se tornou Pacífico mais tarde; e antes de ir à França, em que foi o primeiro ministro provincial, foi agraciado por Deus com uma visão. Um grande tau apareceu várias vezes na testa de Francisco, iluminando e adornando maravilhosamente a sua face com singular variedade de cores. E na verdade o santo nutria grande veneração e afeto pelo sinal tau. E mesmo o recomendava muitas vezes por palavras e o escrevia de próprio punho sobre as cartas que enviava, como se sua missão consistisse, conforme a palavra do profeta, em "marcar com um tau a fronte dos homens que gemem e choram" (Ez 9,4), convertidos sinceramente a Cristo". (São Francisco de Assis, Parte II, Legenda Maior, Cap. 4, p. 487)(grifos nossos).

A visão do "Tau" mudou radicalmente a vida do poeta mundano que, tal qual Paulo de Tarso na estrada de Damasco, foi acometido por visão angélica inspiradora, e também mudando seu nome, agora chamado de Frei Pacífico, se dispôs a viver os princípios franciscanos. Esta imagem teve significado revelador para o Frei, e o fato de o sinal ser visto em Francisco indica que ele vivia evangelicamente e que arrebanhava seus seguidores para trilharem o mesmo caminho. Outros seguidores do inspirado de Assis também tiveram esta visão, é o caso de Frei Silvestre e Frei Monaldo, que descreveram a mesma cena.

O "Tau" é representado pela letra grega maiúscula "T" e significa a cruz, que por sua vez carrega a mensagem do Nazareno em sua expressão. Além de ela ter sido utilizada como instrumento de renúncia do Cristo pela humanidade, este símbolo apresenta um significado todo especial. Emmanuel na obra "Fonte Viva", falando a todos que se dispõem a percorrer o caminho da redenção, assevera:

"Não tropeces no fácil triunfo ou na auréola barata dos crucificadores. Toda vez que as circunstâncias te compelirem a modificar o roteiro da própria vida, prefere o sacrifício de ti mesmo, transformando a tua dor em auxílio para muitos, porque todos aqueles que recebem a cruz, em favor dos semelhantes, descobrem o trilho da eterna ressurreição". (Emmanuel, Fonte Viva, Tema 46, p.108) (grifos nossos).

 
 
 
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