| Mas deveria
existir uma razão para que o Santo se confessasse
pecador e imperfeito. Acreditava ele que neste mundo
de iniqüidade predomina a paixão e o pecado,
e a vida eterna está reservada para quem os combate
com fervor. Não descuidava nenhum instante de
seus defeitos. Em seus escritos observamos seguidas
exortações em que São Francisco
chama a atenção de si mesmo e de seus
servos para esta realidade:
"E estejamos perfeitamente
cônscios de que não nos cabem a nós
senão vícios e pecados; porém devemos
alegrar-nos "quando passamos por diversas tentações"
(Tg 1,2) e somos obrigados a suportar todas as angústias
e tribulações da alma e do corpo neste
mundo por amor à vida eterna". (São
Francisco de Assis, Parte I, Fragmentos de Outra Regra
Não-Bulada, p. 106)
Quando emprega o termo "vida eterna" deixa
claro que o verdadeiro mundo Cristão não
era aqui. Pelo contrário, para manter vivos os
preceitos do Evangelho do Nazareno teve que lutar arduamente
contra si próprio, contra as paixões humanas
e contra a resistência de seus opositores.
Em vários momentos era tomado por êxtase
e se transfigurava. Nestas horas encontrava-se com seu
espírito eterno e parecia se deslocar para outros
planos. Se existia essa contraposição
entre a vida futura e a vida eterna no coração
do apóstolo é fácil concluir que
para ele a Terra não era a verdadeira obra de
Deus, que o paraíso eterno pertencia àqueles
que cumprissem os desígnios do Pai, e que vencessem
este mundo de dor e provas.
Outro chamamento importante pronunciado por Francisco
dizia respeito à cólera:
"E onde quer que estejam
os frades, [onde quer que se encontrem, devem se rever
e honrar "mutuamente sem murmuração"
(1Pd 4,9). E procurem não se mostrar tristes,
carrancudos e hipócritas; mas "alegres no
Senhor" (Fl 4,4), joviais e amáveis], corteses
como convém". (São Francisco de Assis,
Parte I, Fragmentos de Outra Regra Não-Bulada,
p. 107)
Sabia ele que o método de vida franciscana
não era fácil, e que exigia de seus seguidores
renúncia e abnegação, o que despertaria
normalmente a tristeza no coração dos
fiéis. Porém os exortava a permanecerem
alegres, tal qual pai Francisco sempre fazia. Era exigente
consigo e com seus irmãos, mas não perdia
a sua jovialidade natural, não deixava de se
deleitar com as maravilhas da natureza nem de se alegrar
com a árdua missão de servir ao próximo.
O apóstolo quis estabelecer no mundo os princípios
Cristãos vivenciados de forma prática
por meio de regras de conduta que possibilitassem ao
indivíduo a superação de suas paixões,
a prática da caridade, o amor ao próximo
e o desapego das coisas materiais. Viveu intensamente
para Cristo e levou até as últimas conseqüências
seu ideal franciscano, convertendo pessoas por todos
os lugares que passava e deixando um exemplo de vida
reta, justa, abnegada e totalmente voltada para a expansão
do bem no coração de todos.
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