| Certa vez,
fez uso de várias peças valiosas de sua
família e as vendeu na cidade de Foligno. Ao
retornar para Assis, sua cidade natal, no meio do caminho
encontra uma Igreja muito antiga, ruindo aos pedaços.
Tratava-se de um templo erguido em homenagem a São
Damião. Lá dentro encontrava-se um sacerdote
pobre que cuidava da Igreja. Francisco beijou suas mãos
e pediu para ali morar. O sacerdote estranhou a disposição
do jovem, pois já havia visto Francisco em seus
devaneios mundanos pouco tempo atrás. O líder
religioso decide não aceitar o dinheiro, mas
consente que o jovem de Assis venha morar no templo
religioso. Convicto de sua missão, Francisco
joga pela janela a farta quantia em dinheiro que havia
recebido, desprezando-a como se nada fosse. A partir
deste episódio ocorre sua aproximação
com a igreja, seu apostolado estava iniciado.
Convencido de seu compromisso, decidiu restaurar a
igreja de São Damião. Com suas próprias
mãos reergueu a casa de Deus, conferindo-lhe
nova expressão. Neste local foi fundada mais
tarde a Ordem das Senhoras Pobres e Santas Virgens,
aproximadamente seis anos após a conversão
de Francisco.
Não satisfeito, o apóstolo continuou
seu trabalho. Mudou-se para outra cidade, reformando
com o mesmo entusiasmo outra igreja. Em seguida foi
a Porciúncula, onde havia um templo cristão
dedicado a Nossa Senhora que estava completamente abandonado.
Reformou-o da mesma forma, trabalhando arduamente. Passou
a vestir-se com um hábito de ermitão amarrado
com uma correia e andava com um bastão.
Concluída a sua tarefa de reforma das igrejas,
decidiu iniciar longo trabalho de pregação,
com o objetivo de auxiliar os irmãos que se encontravam
em erro. Tomás de Celano descreve:
"Depois disso, começou
a pregar a todos a penitência, com grande fervor
de espírito e alegria da alma, edificando os
ouvintes com a linguagem simples e a nobreza de coração.
Sua palavra era um fogo ardente que penetrava o íntimo
do coração e enchia de admiração
todas as inteligências. Parecia todo transfigurado,
e olhando para o céu desdenhava ver a terra.
(...) Em todas as pregações, antes de
propor aos ouvintes a palavra de Deus, invocava a paz
dizendo: "O Senhor vos dê a paz". Anunciava-a
sempre a homens e mulheres, aos que encontrava e aos
que lhe iam ao encontro. Dessa forma, muitos que tinham
desprezo à paz, como também à salvação,
pela cooperação do Senhor abraçaram
a paz de todo o coração, fazendo-se também
eles filhos da paz, desejosos da salvação
eterna". (São Francisco de Assis, Parte
II, Vida I, Cap. 10, p. 195)
Seu poder de transformar as almas era imenso e falava
na terra vendo as belezas do céu. Sedento por
divulgar as maravilhas que tinha experimentado, Francisco
resolve angariar irmãos para ajudá-lo
na tarefa de divulgação do Cristianismo.
Assim foram chegando irmãos de paz para auxiliá-lo
em sua missão. Dentre eles, encontrava-se Frei
Bernardo, companheiro que se tornaria exemplo de devoção.
Quando ele começou a conviver com Francisco percebeu
a existência de uma força poderosa que
acompanhava o novo apóstolo do Cristo. A partir
de então, vendeu todos os seus bens e os deu
aos pobres. O número de companheiros ia aumentando,
Frei Egídio, Frei Filipe, até se tornarem
doze seguidores fiéis.
Percebendo que havia reunido um grupo forte e disposto
à luta pelo Evangelho, inspirado nas ações
do Nazareno, Francisco os reúne e decreta:
"(...) Ide, caríssimos,
dois a dois, por todas as partes do mundo, anunciando
aos homens a paz e a penitência para a remissão
dos pecados; sede pacientes na tribulação,
confiando que o Senhor vai cumprir o que propôs
e prometeu. Aos que vos fizerem perguntas respondei
com humildade, aos que vos perseguirem abençoai,
aos que vos injuriarem e caluniarem agradecei, porque
através disso tudo nos está sendo preparado
um reino eterno". (São Francisco de Assis,
Parte II, Vida I, Cap. 12, p. 199)
Convencido de sua tarefa, Francisco pregava incansavelmente
de cidade em cidade. Seu método era educar as
pessoas de forma firme e às vezes até
dura, conforme percebemos nesta passagem:
"(...) Apoiado na autorização
apostólica que lhe tinha sido concedida, agia
em tudo destemidamente, sem adular nem tentar seduzir
ninguém com moleza. Não sabia lisonjear
as culpas de ninguém, mas pungi-las. Nem sabia
favorecer a vida dos pecadores, mas atacava-os com áspera
reprimenda, porque já se havia convencido primeiro
na prática das coisas que estava dizendo aos
outros em palavras. Não precisando temer acusadores,
anunciava a verdade sem medo, de maneira que até
os homens mais letrados, que gozavam de renome e dignidade,
admiravam seus sermões e em sua presença
sentiam-se possuídos de temor salutar".
(São Francisco de Assis, Parte II, Vida I, Cap.
15, p. 204)
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