Mensagens de Paz
Principal
Revista Temática
ibbis

 

 
pag. |1|2|3|4|5|6|7|8|9|10|11|12|13|14|
FRANCISCO DE ASSIS - O SEGUNDO CRISTO
 

Chamavam-no de louco e demente, e atiravam nele pedras e lama nas praças. Seu pai engrossava o coro de insultos. Revoltado pelo fato de o filho não lhe seguir os passos, arrasta Francisco violentamente para casa e prende-o em local escuro da residência. Desejava por todos os meios provocar no filho a desistência aos ideais que este havia escolhido. Como não conseguisse seu intento, passa a açoitar o garoto. Nada disso teve o poder de desanimar Francisco.

Sua mãe, no entanto, era portadora de uma docilidade acolhedora. Vendo o sofrimento do filho procurou persuadi-lo a mudar de hábito, mas estava claro que ele não o faria. Ao constatar este fato, a mãe decide desobedecer a seu marido e solta o filho do cativeiro, libertando-o. Seu pai não se conformou, e quis retirar de Francisco tudo o que ele possuía. Levou-o ao bispo, intentando formalizar a renúncia à fortuna. Francisco não se embaraçou com a situação. Já que o pai pretendia deixá-lo sem nada, apressou-se o filho para atender ao desejo do genitor. Francisco pôs-se nu diante de todos, inclusive do bispo, como sinal claro de que não desejava a fortuna do pai nem a aprovação de quem quer que fosse.

Seus votos já estavam feitos. Sabia qual era sua missão: casar-se com a pobreza e servir o Cristo. Contudo, os conflitos interiores não haviam desaparecido. Francisco pessoalmente relata o seu sofrimento:

"Como estivesse ainda em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos, mas o Senhor me conduziu para o meio deles e eu tive misericórdia com eles". (São Francisco de Assis, Parte II, Vida I, Cap. 7, p.191)

Superando suas resistências íntimas cuidou amorosamente dos deformados da carne e do espírito, superando a si mesmo a cada dia que passava. Certa vez, agindo contrariamente ao que tinha se habituado a realizar, Francisco tratou mal um pobre que lhe pedia esmolas. Passado o evento, arrependeu-se de seu desprezo, prometendo nunca mais negar ajuda aos sofredores, o que cumpriu exemplarmente. Dia a dia tinha que vencer a si mesmo, procurando dedicar-se à obra Divina, mas constantemente tentado pelas imperfeições humanas.

3. O APÓSTOLO

A missão de Francisco foi bela e apresentava objetivos específicos. Mais do que se entregar à pobreza e viver para Cristo, foi lhe dada a tarefa de educar pelo exemplo. Quando desce à Terra, enviado por Jesus, o cenário religioso que encontra é lamentável. Emmanuel pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier explica que a espiritualidade maior, antevendo os projetos da Igreja Católica em estabelecer a Inquisição na Terra, envia Francisco de Assis como antídoto a este mal:

"Os apelos do Alto continuaram a solicitar a atenção da Igreja romana em todas as direções". As chamadas "heresias" brotavam por toda parte onde houvesse consciências livres e corações sinceros, mas as autoridades do Catolicismo nunca se mostraram dispostas a receber semelhantes exortações.

Havia terminado, em 1229, a guerra contra os hereges, cujos embates atravessaram o espaço de vinte anos, quando alguns chefes da Igreja consideraram a oportunidade da fundação do tribunal da penitência, cujos projetos de há muito preocupavam o pensamento do Vaticano.

Mascarar-se-ía o cometimento com o pretexto da necessidade de unificação religiosa, mas a realidade é que a instituição desejava dilatar o seu vasto domínio sobre as consciências.

Todavia, se a Inquisição preocupou longamente as autoridades da Igreja, antes da sua fundação, o negro projeto preocupava igualmente o Espaço, onde se aprestavam providências e medidas de renovação educativa. Por isso, um dos maiores apóstolos de Jesus desceu à carne com o nome de Francisco de Assis. Seu grande e luminoso espírito resplandeceu próximo de Roma, nas regiões da Úmbria desolada. Sua atividade reformista verificou-se sem os atritos próprios da palavra, porque o seu sacerdócio foi o exemplo na pobreza e na mais absoluta humildade. A Igreja, todavia, não entendeu que a lição lhe dizia respeito e, ainda uma vez, não aceitou as dádivas de Jesus". (Emmanuel, A Caminho da Luz, Cap. XVIII, p.159)

Para Emmanuel, Francisco de Assis teve uma missão de advertir a Igreja dos efeitos nefastos de seus propósitos, e cumpriu sua missão fielmente, atendendo ao chamado Crístico. E com esta vibração inicia sua vida apostólica.

       
 
 
SEPN - Quadra 513, Bloco A, Sala 214 - Edifício Bittar I - Fone (61) 3964 5025