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Chamavam-no de louco e demente, e atiravam nele pedras e lama nas praças.
Seu pai engrossava o coro de insultos. Revoltado pelo
fato de o filho não lhe seguir os passos, arrasta
Francisco violentamente para casa e prende-o em local
escuro da residência. Desejava por todos os meios
provocar no filho a desistência aos ideais que
este havia escolhido. Como não conseguisse seu
intento, passa a açoitar o garoto. Nada disso
teve o poder de desanimar Francisco.
Sua mãe, no entanto, era portadora de uma docilidade
acolhedora. Vendo o sofrimento do filho procurou persuadi-lo
a mudar de hábito, mas estava claro que ele não
o faria. Ao constatar este fato, a mãe decide
desobedecer a seu marido e solta o filho do cativeiro,
libertando-o. Seu pai não se conformou, e quis
retirar de Francisco tudo o que ele possuía.
Levou-o ao bispo, intentando formalizar a renúncia
à fortuna. Francisco não se embaraçou
com a situação. Já que o pai pretendia
deixá-lo sem nada, apressou-se o filho para atender
ao desejo do genitor. Francisco pôs-se nu diante
de todos, inclusive do bispo, como sinal claro de que
não desejava a fortuna do pai nem a aprovação
de quem quer que fosse.
Seus votos já estavam feitos. Sabia qual era
sua missão: casar-se com a pobreza e servir o
Cristo. Contudo, os conflitos interiores não
haviam desaparecido. Francisco pessoalmente relata o
seu sofrimento:
"Como estivesse ainda em
pecado, parecia-me deveras insuportável olhar
para leprosos, mas o Senhor me conduziu para o meio
deles e eu tive misericórdia com eles".
(São Francisco de Assis, Parte II, Vida I, Cap.
7, p.191)
Superando suas resistências íntimas cuidou
amorosamente dos deformados da carne e do espírito,
superando a si mesmo a cada dia que passava. Certa vez,
agindo contrariamente ao que tinha se habituado a realizar,
Francisco tratou mal um pobre que lhe pedia esmolas.
Passado o evento, arrependeu-se de seu desprezo, prometendo
nunca mais negar ajuda aos sofredores, o que cumpriu
exemplarmente. Dia a dia tinha que vencer a si mesmo,
procurando dedicar-se à obra Divina, mas constantemente
tentado pelas imperfeições humanas.
3. O APÓSTOLO
A missão de Francisco foi bela e apresentava
objetivos específicos. Mais do que se entregar
à pobreza e viver para Cristo, foi lhe dada a
tarefa de educar pelo exemplo. Quando desce à
Terra, enviado por Jesus, o cenário religioso
que encontra é lamentável. Emmanuel pela
mediunidade de Francisco Cândido Xavier explica
que a espiritualidade maior, antevendo os projetos da
Igreja Católica em estabelecer a Inquisição
na Terra, envia Francisco de Assis como antídoto
a este mal:
"Os apelos do Alto continuaram
a solicitar a atenção da Igreja romana
em todas as direções". As chamadas
"heresias" brotavam por toda parte onde houvesse
consciências livres e corações sinceros,
mas as autoridades do Catolicismo nunca se mostraram
dispostas a receber semelhantes exortações.
Havia terminado, em 1229, a guerra
contra os hereges, cujos embates atravessaram o espaço
de vinte anos, quando alguns chefes da Igreja consideraram
a oportunidade da fundação do tribunal
da penitência, cujos projetos de há muito
preocupavam o pensamento do Vaticano.
Mascarar-se-ía o cometimento
com o pretexto da necessidade de unificação
religiosa, mas a realidade é que a instituição
desejava dilatar o seu vasto domínio sobre as
consciências.
Todavia, se a Inquisição
preocupou longamente as autoridades da Igreja, antes
da sua fundação, o negro projeto preocupava
igualmente o Espaço, onde se aprestavam providências
e medidas de renovação educativa. Por
isso, um dos maiores apóstolos de Jesus desceu
à carne com o nome de Francisco de Assis. Seu
grande e luminoso espírito resplandeceu próximo
de Roma, nas regiões da Úmbria desolada.
Sua atividade reformista verificou-se sem os atritos
próprios da palavra, porque o seu sacerdócio
foi o exemplo na pobreza e na mais absoluta humildade.
A Igreja, todavia, não entendeu que a lição
lhe dizia respeito e, ainda uma vez, não aceitou
as dádivas de Jesus". (Emmanuel, A Caminho
da Luz, Cap. XVIII, p.159)
Para Emmanuel, Francisco de Assis teve uma missão
de advertir a Igreja dos efeitos nefastos de seus propósitos,
e cumpriu sua missão fielmente, atendendo ao
chamado Crístico. E com esta vibração
inicia sua vida apostólica.
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