| Miramez traz
extensa explicação sobre esta questão,
indicando que o autor do livro "Apocalipse"
da Bíblia, João Evangelista, apóstolo
do Nazareno, é o mesmo Francisco de Assis. A
nobreza de alma destes dois personagens é compatível,
e tanto o Evangelista quanto Francisco desempenharam
grande missão na Terra.
Originário de família abastada, filho
de um comerciante rico, até os 25 anos de idade
viveu para o mundo, desfrutando alegremente os bens
materiais e a posição social que sua família
possuía.
Na coletânea "São Francisco de Assis",
encontramos Tomás de Celano explicando estes
acontecimentos:
"Nesses tristes princípios
foi educado desde a infância o homem que hoje
veneramos como santo, porque de fato é santo.
Neles perdeu e consumiu miseravelmente o seu tempo quase
até os vinte e cinco anos. Pior ainda: superou
os jovens de sua idade nas frivolidades e se apresentava
generosamente como um incitador para o mal e um rival
em loucuras. Todos o admiravam e ele procurava sobrepujar
aos outros no fausto da vanglória, nos jogos,
nos passatempos, nas risadas e conversas fúteis,
nas canções e nas roupas delicadas e flutuantes.
Na verdade, era muito rico, mas não avarento,
antes pródigo; não ávido de dinheiro,
mas gastador; negociante esperto, mas esbanjador insensato.
Mas era também um homem que agia com humanidade,
muito jeitoso e afável, embora para seu próprio
mal". (São Francisco de Assis, Parte II,
Vida I, Cap. 1, p. 180)
Durante vários anos assim viveu, entregue à
alegria das frivolidades do mundo, despreocupado de
outras questões. Este estado não perdurou
por muito tempo. Acometido de séria enfermidade,
Francisco se vê prostrado na cama a refletir a
respeito de sua vida e de seus hábitos. Quando
se recupera da doença e sai novamente pela via
pública tudo lhe parece diferente.
As paisagens que o atraiam, as vinhas que o encantavam,
a alegria insensata que lhe acompanhava sempre, tudo
isso havia desaparecido. O jovem havia mudado, e passou
a considerar como loucos aqueles que apreciavam estas
coisas. A partir deste momento o duelo se instala no
coração de nosso personagem. Inquieto
pelos desejos que ainda habitavam sua alma, e que agora
não mais lhe pareciam corretos, Francisco se
alista para participar de uma guerra onde um nobre de
sua cidade se armava para atacar a Apúlia. Quando
se preparava para o seu projeto teve um sonho. Viu-se
em uma sala repleta de armas, e concluiu que todas elas
seriam dele e de seus soldados.
Em meio a tão doloroso conflito, apesar de
ainda desejar ir à guerra, sua alegria não
era mais como antes. A vida havia perdido seu frescor
juvenil, e as coisas do mundo não mais lhe agradavam.
Logo após, desiste de ir à batalha. Aos
poucos, foi se isolando dos negócios e interesses
da sociedade, retraindo-se em pensamento e reflexão
passava cada vez mais a sentir uma motivação
diferente, algo que ainda não sabia o que era:
"Sustentava em sua alma
uma luta violenta e não conseguia parar enquanto
não realizasse o que tinha resolvido em seu coração.
Pensamentos muito variados entrecruzavam-se nele, importunando-o
e perturbando-o duramente.
Ardia interiormente pela chama
divina e não conseguia esconder por fora o ardor
de sua alma. Doía-lhe ter pecado tão gravemente
e ofendido os olhos da majestade de Deus. Os pecados
do passado ou do presente já não o agradavam.
Mas ainda não tinha recebido a plena confiança
de poder evitá-los no futuro". (São
Francisco de Assis, Parte II, Vida I, Cap. 3, p.184)
Após passar por duros dilemas internos, Francisco
enxerga qual é a sua missão. Ir para a
guerra já não lhe atrai, o seu coração
havia sido tocado por uma força estranha e irresistível.
Passou a se comportar de forma diversa à de costume,
e seus amigos e familiares não entendiam o que
lhe havia acontecido. Quando lhe perguntavam o que se
passara, respondia assim: "Vou me casar com uma
noiva tão nobre e tão bonita como vocês
nunca vão ver, que ganha das outras em beleza
e supera a todas em sabedoria".(São Francisco
de Assis, Parte II, Vida I, Cap. 3, p. 184). E realmente
com ela se casou. Renovou toda a sua vida, morreu para
o mundo e abraçou os princípios Cristãos
como método de vida.
Seu pai era um comerciante muito abastado e extremamente
materialista. Nestes valores, educou Francisco, que
seguiu os passos de seu genitor até encontrar
sua transformação. Quando muda radicalmente
seus hábitos, provoca nas pessoas à sua
volta estranheza e desconfiança. Não entendiam
como um jovem esbanjador poderia tão rapidamente
se transformar em um homem redimido, voltado para o
chamado de Deus. |