| Também
por esta razão ele fez questão de se mostrar
como o menor de todos. Ao fundar a "Ordem dos Frades
Menores" pretendia destruir toda e qualquer forma
de orgulho e vaidade que ainda existissem em sua alma,
e aplicava os mesmos princípios aos seus seguidores.
Quando ele recebe as chagas de Cristo no Alverne,
o processo atinge a sua conclusão, não
lhe resta mais qualquer imperfeição humana.
A imagem do Nazareno na cruz representa o símbolo
da redenção humana, e quando Francisco
encontra interiormente a sua salvação,
Jesus lhe aparece confirmando que aquele era o caminho.
São Francisco havia encontrado, vivido e vencido
o duro caminho que leva à perfeição.
Assim como o Cristo, São Francisco foi perseguido,
humilhado e açoitado por trazer a verdadeira
palavra de Deus ao mundo. Em diversos momentos, nem
os representantes da Igreja entendem seu objetivo, tanto
que Francisco quando encontrou o Bispo de Sabina, chamado
João de São Paulo, foi tentado a abandonar
a vida de pregações e de caridade para
se enclausurar em um mosteiro. Obviamente que ele não
aceitou o convite, apesar de ser muito mais cômodo
e confortável poder dedicar-se às orações
sem ter que suportar o ódio e o desprezo do mundo.
O fato é que o homem normal não entende
o que se passa no interior do evoluído. Jesus
fora tido como um louco revolucionário da mesma
forma que os contemporâneos de Francisco julgaram
que ele enlouquecera ao desprezar toda a sua fortuna.
O inspirado de Assis havia sentido dentro de si que
a pobreza, o desprezo do mundo e o alívio dos
sofredores eram a seta apontando para a evolução.
Limpava os leprosos, admirava os animais e se rebaixava
diante de todos vendo nestes atos a pura manifestação
da força Divina. Ele não se entregava
a estas tarefas simplesmente com espírito de
pura obrigação, mas sentia as doces vibrações
destes atos porque já havia se revolucionado
psiquicamente.
Um homem normal, ou involuído nos dizeres de
Ubaldi, jamais teria condições de acessar
estas vibrações, e isto é o que
diferencia os dois tipos biológicos. A Mediunidade
do evoluído é puro amor, e ele ama a tudo
e a todos o tempo todo, como se estivesse fisicamente
na Terra e espiritualmente no céu.
6. O SANTO
Mesmo após o desencarne de São Francisco,
todos os seus milagres e feitos continuaram a ser objeto
de comentários e admiração. Suas
obras tinham se espalhado de tal forma que a figura
do apóstolo era sinônimo de bondade, trabalho
e cura das almas. Assim, sabedor da fama e da natureza
dos feitos de Francisco, o Papa Gregório inicia
o processo de canonização do Santo. Em
cerimônia pública foram lidos e aprovados
diversos milagres, e tornou-se incontestável
para a Igreja que havia passado em Assis um enviado
de Deus, e a partir de então aquele homem passou
a ser venerado como Santo.
Mas o que demonstrava ser ele diferente dos demais
não era apenas o título conferido pela
Igreja Católica. Quando iniciou sua conversão
não foi apoiado pelo povo, antes o humilharam,
açoitaram e tiveram-no como louco. Viveu a sua
vida santamente, buscando Cristo, e mesmo na sua juventude,
quando se entregava aos prazeres do mundo, cumpria etapa
indispensável de sua evolução,
pela qual experimentava o que era o gozo, os bens terrenos
e as paixões humanas.
Porque as conhecia e havia vivido tudo aquilo, pôde,
mais tarde, renunciar a todas estas frivolidades. Como
superar algo que não se conhece? Como poderia
ele se dizer seguidor do Cristo se não conhecesse
e tivesse vencido as seduções da matéria
e suas armadilhas? Exatamente por esta razão
sua nobreza de espírito se tornou mais evidente,
porque teve dinheiro, posição social e
apoio da família para ser materialista e egoísta,
mas nada disso lhe interessava. Não viveu em
vida contemplativa, apesar de possuir todas as chances
para fazê-lo. Preferia correr o risco de errar,
de se mostrar humano a se isolar em templos religiosos.
Seduzia-lhe a batalha, entregar-se mansamente como cordeiro
aos lobos só para ter a oportunidade de ensiná-los
o doce prazer de sofrer em nome de Deus. Confessava-se
o último dos homens, apesar de ter vivido para
Deus.
Em passagem muito elucidativa sobre a trajetória
de São Francisco encontramos uma descrição
de uma visão que tivera Frei Pacífico:
"(...) Enquanto orava foi
arrebatado ao céu, com o corpo ou sem ele, só
Deus o sabe. E viu ali numerosos tronos, e entre eles
um mais elevado e mais glorioso que os outros, refulgente
e cravejado de toda espécie de pedras preciosas.
Admirando a sua beleza, indagou a si mesmo a quem seria
destinado aquele trono. No mesmo instante ouviu uma
voz que dizia: "Esse trono pertenceu ao anjo Lúcifer
e em seu lugar sentar-se-á o humilde Francisco".
(São Francisco de Assis, Parte III, O Espelho
da Perfeição, Cap. 60, p. 907)
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