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FRANCISCO DE ASSIS - O SEGUNDO CRISTO
 

O evoluído já entendeu que entregar-se aos prazeres da matéria provoca o adormecimento das manifestações espirituais. Por isso persegue ferrenhamente o intuito de dominar suas paixões, pois sabe que elas o afastam das belezas interiores. As "Regras de Vida" escritas por Francisco objetivavam manter o discípulo em posição reta e justa, atendo às manifestações íntimas, visto que sabia que os desejos da carne os afastavam do contato interior. Neste trecho o professor esclarece:

"A visão não é sensória, exterior, mas interior, é contemplação. A vida vegetativa é mortificada por jejuns, renúncia, sofrimentos. O ser vive de vida sutil de notas agudas, penetrante, intensa, poder-se-ia dizer de alta voltagem, quase imaterializando-se em forma de energia radiante, constituída de ritmo vibratório. A exaltação vital está toda na expansão espiritual. A projeção dinâmica do ser dirige-se para a substância o absoluto, Deus. A forma, o relativo, as coisas terrenas estão superadas. O tipo biológico já superou a fase da evolução humana, separando-se de nossa forma de existência e alcançando outra mais elevada. O ritmo de vida animal se transformou, através do longo caminho da evolução em ritmo de vida espiritual. O transformismo evolutivo superou a fase humana, alcançando outra superior, mais aproximada à divindade. Eis as características do fenômeno do Alverne e do seu protagonista". (Pietro Ubaldi, A Nova Civilização do Terceiro Milênio, Cap. XXIX, p.314) (grifos nossos).

A aparição do Serafim no Alverne para Francisco consiste em fenômeno muito mais complexo do que uma visão simbólica. Ubaldi demonstra que Francisco já tinha atingido a superioridade psíquica do evoluído. Onde o involuído nada enxerga, o evoluído percebe vibrações sutis poderosíssimas, e pode com elas interagir, formando um elo mediúnico supranormal. Quem assistisse à cena veria nela fenômenos físicos exteriores, luzes no céu, chamas resplandecentes, mas o seu verdadeiro significado só pôde ser sentido por Francisco.

A este tempo seu amadurecimento espiritual já estava completo, e ele atravessara física e psiquicamente todas as barreiras da matéria, havia vencido a dualidade humana e se integrado com a unicidade Divina. Na visão de Ubaldi, o episódio do Alverne significa a conclusão do processo da evolução humana aplicado ao caso individual de um Santo. Ele atingira antecipadamente naquele momento o que é o destino de todos nós.

Neste processo misturam-se elementos opostos: construção e destruição caminham juntos e proporcionalmente. À medida que o evoluído conquista o reino interior cada vez mais lhe parecem desinteressantes os interesses humanos. No fim da juventude de Francisco ele inicia este processo através de uma séria enfermidade. Aquela doença o chamara para adentrar em uma outra realidade, e é fácil constatar que ele já estava pronto para vivenciar este novo mundo, tanto que, a partir de sua conversão, ele evolui como um raio, desprezando os bens terrenos em busca de atender ao próximo.


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