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FRANCISCO DE ASSIS - O SEGUNDO CRISTO
 

E era exatamente este o gesto de Francisco para com os seus seguidores: marcava com o sinal da cruz aqueles que se dispunham a renunciar à própria vida em favor do Cristo. Prosseguimos com Emmanuel, agora na obra "Pão Nosso":

“Muitos estudiosos do Cristianismo combatem as recordações da cruz, alegando que as reminiscências do Calvário constituem indébita cultura de sofrimento. Asseveram negativa a lembrança do Mestre, nas horas da crucificação, entre malfeitores vulgares. Somos, porém, daqueles que preferem encarar todos os dias do Cristo por gloriosas jornadas e todos os seus minutos por divinas parcelas de seu ministério sagrado, ante as necessidades da alma humana. Cada hora da presença dele, entre as criaturas, reveste-se de beleza particular e o instante do madeiro afrontoso está repleto de majestade simbólica. Vários discípulos tecem comentários extensos, em derredor da cruz do Senhor, e costumam examinar com particularidades teóricas os madeiros imaginários que trazem consigo. Entretanto, somente haverá tomado a cruz de redenção que lhe compete aquele que já alcançou o poder de negar a si mesmo, de modo a seguir nos passos do Divino Mestre”. (Emmanuel, Pão Nosso, Cap. 103, p.217)

Portanto o “Tau” simboliza a redenção da alma humana pela vivência dos preceitos cristãos, e o sinal foi escolhido por Francisco de Assis para deixar marcados os seus seguidores com o exemplo do Evangelho. O “Tau” também faz parte do símbolo do IBBIS, assim como a figura de Francisco de Assis e os dois não poderiam estar separados. Por esta razão representamos Francisco iluminado pelo sol Crístico em seu peito e de braços abertos, na posição do “Tau”, como se ele mesmo indicasse toda a força e mensagem da cruz do Nazareno.

A vida deste Santo foi marcada por várias passagens extraordinárias, mas provavelmente o acontecimento mais fantástico de Francisco tenha sido sua experiência no Monte Alverne. Diversas fontes relatam este acontecimento, mas vamos nos socorrer do professor Pietro Ubaldi para analisar a passagem. Na obra “A Nova Civilização do Terceiro Milênio” , encontramos a seguinte descrição:

"Estando assim inflamado nessa contemplação, naquela manhã mesmo viu descer do céu um serafim com seis resplendentes e flamejantes asas e, voando velozmente, aproximou-se de São Francisco ao ponto de este poder discernir e ver perfeitamente haver nele a imagem dum homem Crucificado; ... Estando imerso nessa admiração, foi-lhe revelado pela aparição que a Divina Providência lhe proporcionava aquela visão a fim de que compreendesse dever transformar-se, não por martírio corporal, mas incendiando-se mentalmente, em imagem perfeita de Cristo crucificado. Durante essa aparição admirável, todo o Monte Alverne parecia arder em chamas esplêndidas que, como o sol, iluminavam os montes e os vales dos arredores; os pastores, que velavam por ali, vendo o monte em chamas e tantas luzes em torno, ficaram com muito medo, isso de acordo com o que mais tarde eles mesmos contaram aos frades, dizendo-lhes até que as chamas permaneceram sobre o Monte Alverne pelo espaço de uma hora. (...) Na aparição serafínica, Cristo manifestou-se e disse a São Francisco algo secreto e sublime, que São Francisco jamais quis revelar a pessoa alguma... Depois de grande espaço de tempo e de colóquio particular, a admirável visão desfez-se, deixando o coração de São Frâncico abrasado em vivo fogo de amor divino; deixou-lhe na carne maravilhosa imagem e estigmas da Paixão de Cristo. Nos pés e nas mãos de São Francisco começaram a surgir os horrendos sinais dos pregos, exatamente como a visão lhe mostrara no corpo de Jesus crucificado que lhe aparecera sob a forma de serafim". (Pietro Ubaldi, A Nova Civilização do Terceiro Milênio, Cap. XXIX, p.311)

Este fenômeno é muito conhecido e foi objeto de várias discussões e interpretações que tentaram explicá-lo. Ubaldi entendeu este processo de forma singular. Para ele o processo que atingiu São Francisco vai muito além do que uma aparição milagrosa, e envolve todo o mecanismo de evolução biológica e psíquica do indivíduo.

Ubaldi demonstra que o evoluído busca sempre o amadurecimento interior como forma de transformação. O processo passa por uma gradativa libertação das formas exteriores, e progressiva conquista do patrimônio íntimo. Quanto mais avança em direção ao espírito mais se distancia da matéria, e esta sofre por estar morrendo. Daí a explicação porque o Santo sempre busca se penitenciar através do sofrimento. O objetivo dele não é apenas a dor, e esta ocorre como forma de subjugação da carne ao princípio espiritual. Vejamos a explicação de Ubaldi:

"A maceração dos santos não é mais utopia ou crença, mas processo evolutivo, método de imaterialização e espiritualização, isto é, impulso à degradação biológica que é condição para a ressurreição espiritual no imponderável, elemento indispensável ao aceleramento da freqüência no ritmo de vibração e transformação do potencial impulsionador da evolução". (Pietro Ubaldi, A Nova Civilização do Terceiro Milênio, Cap. XXIX , p.315)

 
 
 
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