"Assim concebido, o
Cristo se nos apresenta como algo bem mais imitável
por ter percorrido a nossa mesma estrada. Ele não
representa um caso isolado, imensamente distante do
nosso. Não se poderia propor como exemplo quem
não fosse semelhante e se apresentasse em condições
totalmente diferentes". (Pietro Ubaldi, Cristo,
Cap. IV , p. 48)
Temos de compreender a distinção que
deve ser feita entre a figura mitológica que
o cristo representa para cada um de nós, e a
ascese mística experimentada por Ele, que na
terra lutou com todo esforço para reintegrar-se
ao Sistema na mente alvíssima de Deus Criador,
sublimando-se.
Assim, a paixão de Cristo não é
um fato fora da Lei, pois constitui para Ele a última
fase conclusiva de um normal e longo processo de maturação
evolutiva, processo este, em que cada um de nós
deve matricular-se, vez que o Cristo nos garantiu ser
o caminho, a verdade e a vida, mas não nos garantiu
que faria por nós a caminhada.
Jesus deve ser vivenciado, experimentado por nós,
não fatigadamente imitado por meio de atos exteriores,
vez que cada um deve sofrer o esforço pessoal
de sua ascese mística, cada um de nós
deve sacrificar a mente egóica, deixando nascer
na manjedoura de nossa consciência, uma força
nova, crística, que transformará nosso
reino interior, projetando-nos para as escolhas certas
a serem feitas com o entendimento da Lei, levando-nos
e à ressurreição numa nova consciência
e forma de vida.
O pensamento ubaldiano, por ressonância, ou,
por acesso noúrico, alcançou o pensamento
do Cristo Universal sentido por Pierre Teilhard de Chardin,
padre jesuíta, teólogo, filósofo
e palentólogo francês que buscou construir
uma visão integradora entre ciência e teologia,
defendendo que a idéia de que o Cristo não
está contra a ciência, ao contrário,
propõe que o pensamento cristão se desenvolva
em bases científicas, para que possa alcançar,
dentro da mente humana, dimensões vastíssimas,
vez que hoje, encontramo-nos aptos a concebê-Lo,
"(...) dinâmico, universal, unitário,
síntese suprema de fé, de pensamento,
de vida". (Pietro Ubaldi, A Descida dos Ideais,
Cap. IV, p. 95)
É essa nova visão do Cristo, que transcende
o pensamento humano, que vai além do Cristo histórico,
religioso e que propõe o Cristo como "eixo
espiritual do mundo", que vamos estudar nesta matriz
de nosso portal, cientes de que Sua Voz há de
ser ouvida onde existe pensamento humano, em evolução
nos planos da vida terrena.
O CRISTO CÓSMICO
"(...) falou-lhes, pois,
Jesus, outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem
me segue não andará em trevas, mas terá
a luz da vida". (João 8:12)
Jesus de Nazaré, o Cristo materializado, ainda
representa grandioso mistério, e a consciência
humana encontra-se bastante aquém de compreender
aquilo que Ele realmente é. Neste sentido, temos
que, o Cristo é sempre uma descoberta para o
futuro, posto que se nos revela à consciência,
a cada passo de nossa escalada evolutiva, o Cristo é
para nós maior do que foi ontem e menor do que
será amanhã. Façamos, portanto,
o esforço para entender que o "Cristo é
– além do passado e do futuro. Não
surge e não desaparece, não nasce e não
morre". (Pietro Ubaldi, Ascese Mística,
Cap.IX , p. 146)
Quanto a nós, quanto mais ascendemos na descoberta
do manancial espiritual que existe em nosso mundo interior
inconsciente, tanto mais adquirimos consciência
do verdadeiro Cristo "(...) é uma realidade
e uma sensação imensa que repele imagens.
É um infinito que se conquista por sucessivas
aproximações". (Pietro Ubaldi, Ascesse
Mística, Cap. IX, p.145 )
O CRISTO CÓSMICO de que falamos, somente poderá
ser alcançado pelo fenômeno intuitivo,
onde Cristo se nos revela por meio de inspiração,
consequência natural do esforço do espírito
que conforme evolui, acerca-se dos vários planos
de conhecimento que representam conhecimento do próprio
Cristo. "Assim, a consciência alcança
e toca, progressivamente, um Cristo sempre mais interior,
penetrando Sua profundidade; um Cristo sempre mais real
e imaterial (...)". (Pietro Ubaldi, Ascese Mística,
Cap. IX, p.145 )
Tal fato nos ensina que vamos alcançando Cristo,
à medida que promovemos a nossa ascese pessoal,
vez que Dele nos avizinhamos, em primeiro momento, pelos
sentidos, quando descobrimos e admiramos o Cristo histórico,
depois o Cristo vibra em nossa mente como Cristo-Cósmico
ou Lei Divina, princípio de organização
que rege o mundo, a que nos submetemos por impulso interior
e irresistível, para somente então, captá-lo,
sentindo-o no imo do nosso coração. |