| Jesus Cristo surge como
a personificação do modelo universal,
primordial ou arquetípico da redenção
da humanidade, muito além da visão religiosa,
pois, vivendo sua tangibilização, messianato,
via crucis e ressurreição demonstrou ao
homem a jornada de nascimento da psicologia do homem
do futuro.
O professor Pietro Ubaldi, no último livro
de sua vasta obra, intitulado "Cristo", ensina
que a grande idéia deixada pelo Cristo, foi que
a superação da vida terrena, da consciência
mediana em busca de uma visão superconsciente
de si, do mundo e de Deus, é o caminho da evolução,
do crescimento e da redenção humana.
Alerta-nos o pensador italiano, que o Cristo deve
surgir em nós como uma possibilidade de compreender
que nosso retorno à Casa do Pai, deve ser visto
como um caminho a ser trilhado a partir do próprio
esforço evolutivo, e não a partir do sacrifício
de um ser em prol de todos os outros pecadores, ainda
que arrependidos:
"(...) podemos afirmar que
é injusto, isto é, anti-Lei e anti-Deus,
que um inocente pague por culpas dos outros, enquanto
é justo, conforme a Lei de Deus, que cada um
pague as suas próprias culpas. E é ainda
mais injusto que tais culpados se aproveitem da bondade
daquele inocente para fazer dele, perante a divina justiça,
um bode expiatório, eximindo-se do pagamento
que os espera. Esta não poderia ser senão
uma moral invertida, produto do AS de tipo anti-Deus.
Ela perante a moral do S, isto é, perante Deus,
é um emborcamento e uma culpa". (Pietro
Ubaldi, Cristo, Cap. III, p. 38)
Assim, podemos compreender que, de fato, cada um deve
viver segundo as próprias obras, posto que o
Cristo, fazendo-se humano e superando a nossa realidade
biológica, nos mostrou o caminho a seguir, conduziu-nos
à verdade, mostrou-nos a possibilidade de uma
outra vida, "Cristo nos ensina que estamos percorrendo
uma grande estrada e que a salvação está
no avançar. A redenção consiste
na evolução, isto é, a transformação
da nossa natureza de tipo AS na de tipo S". (Pietro
Ubaldi, Cristo, Cap. IV, p. 48)
Desse modo, a visão de um Cristo salvador,
merece a interpretação de possibilidade
pessoal de crescimento e propósito, pois que
não nos parece salutar nos termos da Lei que
seja sacrificado em nosso nome um ser puro, que arcará
por nós pela consequência de nossos próprios
atos.
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