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A maior de todas as prisões humanas, nunca foi
construída com materiais perecíveis, como
tijolo, areia, cimento, madeira e ferro. Não
tem ao seu dispor, nenhum esquema sofisticado de vigilância
externa, mas as suas celas vivem abarrotadas de presos
que deliberadamente se impõem penas que, na maioria
das vezes, duram toda uma existência. Penas perpétuas,
em regime de reclusão conflitante, choques, revoltas,
guerras e desequilíbrios.
Por mais incrível que possa parecer, os próprios
presos defendem as suas celas, grades e regime de reclusão,
com todo ardor de suas almas e com toda força
de suas convicções e se alguém
tenta abrir-lhes as portas, lutam desesperadamente para
não saírem, condenando e evitando todo
e qualquer esforço de liberdade pessoal ou coletiva.
Vez por outra, surgem espíritos destemidos,
homens de escol, que gritam, falam, exemplificam, tentando
acordar os presos voluntários, mas as suas vidas
e ensinos, contrariamente ao que se poderia esperar,
fortalecem as correntes, eclodindo novas confusões
e ampliando as muralhas que os mantêm cativos.
Este grande complexo penitenciário, esta prisão
voluntária, tão comum aos seres humanos,
nasce no fluxo incessante de nossos pensamentos, vontades,
emoções, palavras, hábitos e atos
e atende pelo nome de CONDICIONAMENTO.
Condicionamento, que nos faz perder o senso de liberdade,
a bem-aventurança, a paz interior, a visão
de totalidade, que cria e nutre padrões rígidos,
que é a gênese de todas as divisões,
disputas, conflitos, inquisições, guerras
e anátemas.
Condicionamento que cria as autoridades, os doutores,
os ídolos, os gurus, os seguidores, que inadvertidamente
exaltam os seus “mestres”, percorrendo “caminhos”
e “verdades” em ciclos intermináveis
de dependência, lutas e frustrações.
Condicionamento que nos leva à imitação,
ao viver da memória e das repetições
vazias de conceitos e revelações menores
sem que as possíveis realidades que mencionamos
sejam conquistas experienciadas no silêncio pródigo,
fecundo e criativo de nossa vida interior.
Condicionamento que nos faz nacionalistas, moralistas,
cientistas, filósofos, teólogos, católicos,
protestantes, espíritas, budistas, materialistas,
em busca permanente de certezas absolutas, supremacia,
conquista de prosélitos e condenação
daqueles que teimam em seguir outros caminhos, outras
vertentes, contrários aos nossos passos e verdades,
nossas crenças e certezas.
Condicionamento que condena o passado, as mudanças
do presente e busca impedir o fluxo de transformação
incessante do futuro, que tenta a todo custo, calar
a voz da natureza, quando ela se distancia de nossos
enunciados e teorias.
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